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Como funciona a População de abelhas x Produção de alimentos

O mico leão dourado, astro de campanhas para preservação de animais em extinção, pode ganhar muito em breve uma companhia: as abelhas passam por processo semelhante. O zumbido em favor desses pequenos insetos já começou. Enquanto os preservacionistas usavam argumentos apenas sentimentais no caso dos primatas, em relação às abelhas, as consequências são muito mais graves e afetam diretamente os seres humanos, tanto economicamente quanto em relação à sua sobrevivência.

De acordo com relatório do Programa Ambiental da ONU (Organização das Nações Unidas), as abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 70 das 100 espécies de vegetais que fornecem 90% dos alimentos responsáveis por alimentar os mais de 7 bilhões de seres humanos espalhados pelo globo. A diminuição da população desses insetos significa, de forma direta, a redução da produção alimentícia e, naturalmente, de acordo com a implacável lei da oferta e da procura, o aumento do preço dos produtos.

De acordo com Achim Steiner, que é chefe do programa da ONU, a queda do número de abelhas, afeta uma grande variedade de alimentos como frutas, legumes e grãos, mas não apenas esses. Chocolates, iogurtes e derivados do leite por exemplo, são seriamente abalados pela falta de insetos em número suficiente para fazer a polinização das plantas.

Tendência começou a ser notada no início do século 21

O primeiro sinal de alerta em relação ao desaparecimento das abelhas foi dado em 2006 por agricultores dos Estados Unidos. Os apicultores (criadores do inseto) começaram a perceber a diminuição no número de suas colônias de forma significativa.

“Percebi que algo grande estava acontecendo com as abelhas. Tenho certeza de que as pessoas estavam vendo as tendências antes de isso, mas não havia sido feito uma relação. Por isso, levou um tempo. Foi preciso que as pessoas começassem a juntar todos os pedaços até que compreendessem que isso era realmente sério”, afirmou o especialista Lee Kane em entrevista ao site gothamist.com .

Estima-se que, naquele ano, houve uma perda de 30% das colônias. O fenômeno foi apelidado penos norte-americanos de CCD, Colony Collapse Disorder (Síndrome do Colapso da Colônia) , e atribuído a uma série de fatores. As pragas, a queda da qualidade da terra por causa de seu uso continuado e à falta de rotatividade de culturas e principalmente ao uso de pesticidas. “Na verdade, isso é ainda discutível, mas tem sido um dos principais fatores que contribuem para o que está acontecendo com as abelhas.”

Fenômeno mostrou ser de extensão global

Ligado o sinal de alerta nos Estados Unidos, uma rede de cientistas denominada Coloss foi formada para estudar a situação, principalmente na Europa, e em mais de 60 países. Constatou-se então que o problema era global. A diminuição das colônias não estava restrita ao território norte-americano.

Algumas regiões estudadas perderam até 53% das colônias nos últimos anos. Entre os países que foram foco dos olhares dos cientistas estavam o Brasil, o Japão e a China. Em 2012, de acordo com relato da revista Veja, apicultores de Santa Catarina perderam um terço de suas cerca de 300 mil abelhas.

Desaparecimento das abelhas é envolto em mistério

Os cientistas, no entanto, não conseguem apontar de forma definitiva o causador pelo desaparecimento das abelhas, ainda que os pesticidas, especialmente os neonicotinoides, usados nas lavouras surjam como o principal suspeito.

Um problema para o estudo é que não há possibilidade de fazer uma autopsia nas abelhas. Os corpos dos insetos não são encontrados nas colmeias ou proximidades para que possam ser estudados e a causa da morte detectada.

Outro fator que dificulta a tomada de conclusões é a diversidade de espécies e as características de cada região e do trabalho de polinização. Isso afeta, inclusive, a economia local de forma diferente.

Na Califórnia, Estados Unidos, as fazendas usam a monocultura de amêndoa e têm nas abelhas seu principal polinizador. Com a queda nas colônias, a produção caiu e o preço do subiu em mais de 40% no ano passado. As abelhas, que se alimentavam das folhas das amendoeiras, também ficaram sem ter o que comer criando um círculo vicioso que pode levar a uma diminuição ainda maior do número desses insetos.

Crise faz pessoas buscarem alternativas

Como normalmente acontece, situações de crise fazem despertar empreendedores. Em Nova York, uma das maiores metrópoles do mundo, muitas pessoas começaram a criar colônias de abelhas no teto dos prédios e ganhar algum dinheiro com produtos que já estavam em escassez no mercado. No entanto, essas abelhas pouco ou quase nada podem fazer em relação à sua função de polinizar uma vez que a vegetação em Manhattan é escassa.

A China, que possui volume de mão de obra humana em grande quantidade e de baixo custo, está utilizando esses recursos para fazer polinização manual. Porém, outros países não possuem essa opção. No ocidente, a tendência é de diminuição da mão de obra no campo com a população buscando os grandes centros urbanos. Com isso, a falta das abelhas para a polinização agrava ainda mais o problema.

Nesse caso, a resposta pode ser a tecnologia. O governo dos Estados Unidos criou uma força tarefa para discutir a questão com um orçamento de US$ 50 milhões. “Você ouve histórias realmente assustadoras sobre Harvard (uma das mais importantes universidades norte-americanas) desenvolver pequenos drones, abelhas robóticas. Esses são todos os tipos de cenários de fim-de-mundo. Eu não acredito que isso é o que vai acontecer. Nosso objetivo agora é levar as pessoas a pensar sobre isso. Isso é realmente do que se trata”, diz Lee Kane.

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